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Como
escolher a roupa ideal para a sua aventura
Se para um profissional por vezes é difícil
escolher o que vestir em
uma aventura, imagina para quem está começando.
 
Independente
se você vai escalar na isolada Groelândia ou passear com a
família em Bonito, pode apostar que parte do sucesso de sua
viagem dependerá da roupa que você irá usar. Acredite, da mesma
forma que por estar com as roupas adequadas realizei com prazer
atividades em condições extremas nos Alpes ou na Patagonia, por
outro lado, também já vivenciei situações de alto risco ou
grande desconforto em simples caminhadas pela Serra do Mar,
apenas pela falta de vestuário apropriado.
Ok, ok, e o que escolher para a sua aventura? O
importante não é a marca, mas sim avaliar a qualidade e os
recursos de cada produto, considerando as necessidades
prioritárias dos usuários: proteção, conforto e desempenho.
Tenha em mente a atividade que irá praticar na hora de avaliar
as propriedades do produto que irá usar.
Para decidir qual a roupa ideal é preciso
conhecer o básico sobre os materiais utilizados na confecção das
peças e as principais tecnologias do mercado, para um balanço
entre os prós e os contras de cada produto.
A seguir as principais considerações para sua avaliação:
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Proteção, conforto e desempenho:
O ideal é que a roupa seja confortável, para que você tenha
prazer enquanto pratica sua atividade. No entanto, ela deve
cumprir com as características básicas às quais foi projetada
(impermeabilidade, respirabilidade, aquecimento, etc),
assegurando desta forma a proteção do praticante. Afinal, é nas
condições adversas (chuva, vento, frio, calor, etc) que você vai
tirar a prova se a sua roupa é realmente confortável.
Como exemplo, em um gélido dia de inverno na
montanha, uma blusa térmica pode aquecer o suficiente para dar
conforto e segurança ao usuário, permitindo que o vapor da
transpiração seja transportado para fora do tecido enquanto
impede que o vento gelado penetre, ao mesmo tempo que agasalhos
de qualidade inferior ou usados para fins aos quais não foram
projetados podem ocasionar superaquecimento, suador excessivo e
posterior resfriamento do corpo devido à umidade no tecido. Ou
seja, quando deveria aquecer e proteger com as suas
funcionalidades, uma blusa pode acabar com qualquer programa,
gerando desde um simples desconforto, um incômodo resfriado ou
até mesmo, dependendo da atividade, levando o praticante ao
preocupante quadro de hipotermia. Quem se aventura há anos sabe
bem do que estou falando;
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Comodidade:
Já que estamos falando de conforto, vamos esclarecer
alguns fatos. O que faz com que alguém sinta frio ou calor não é
simplesmente a temperatura do ar, mas a alteração do sensível
micro-clima existente na fina camada de ar localizada entre o
corpo e as roupas, que pode ser alterado principalmente pelas
condições climáticas do ambiente em que estamos, pela atividade
física ou mesmo pelas roupas que usamos. Há registros de pessoas
que morreram de hipotermia na tropical Rio de janeiro sob
temperaturas de apenas 19 oC, enquanto moradores de cidades do
Canadá vivem tranqüilamente sob temperaturas de até 40 oC
negativos.
Chamamos de comodidade o estado em que nos
sentimos confortáveis, independente da temperatura externa,
normalmente quando tal micro-clima mantém-se entre 32 e 35 oC e
a umidade relativa do ar está por volta de uns 50%. Basta o
corpo começar a suar e ou gelar para começarmos a sentir
incômodo, sinal de que não estamos mantendo tal micro-clima
equilibrado.
E a principal forma de manter esta comodidade é
com a escolha de roupas adequadas de acordo com a atividade que
você pretende encarar;
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Termicidade: Faça
chuva ou sol... sua roupa tem que manter a sua comodidade.
A regra do Sistema de Camadas é um tanto simples: em dias
quentes basta uma Camada Intermediária de roupas leves; nos
frios, use uma Camada Térmica; nos muito frios, mais uma Camada
Interna deve resolver; caso ainda esteja batendo os beiços,
vista uma boa Camada Protetora por cima das outras roupas.
Porém atenção, a sua roupa não vai fazer milagres
caso você não se cuide. Começou a esquentar, antes de suar,
comece a tirar as camadas. Da mesma forma, ao sentir que o corpo
começa a esfriar, vista uma nova camada antes de perder calor.
Em dias muito frios no entanto, preste ainda mais
atenção às extremidades de seu corpo (mãos, pés e cabeça), os
pontos onde mais perdemos o calor corpóreo. Mais da metade do
calor perdido pelo nosso organismo provém da cabeça. Basta que a
nossa cabeça e o nosso peito se esfrie para que os membros
inferiores e superiores tenham a circulação sangüínea reduzida,
em prol do reaquecimento das partes vitais. Daí a velha máxima
montanhista: “seu pé está gelado, ponha um gorro”.
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Resistência ao vento:
Testes mostram que sob 10 oC de temperatura ambiente
uma rajada de vento de 50 km/h (como descer uma ladeira de
bicicleta) pode transmitir uma sensação térmica de apenas -2 oC!
Como a maioria das roupas perde boa parte do isolamento térmico
com o vento, surgiram as tecnologias “corta vento”, que impedem
que o ar gelado penetre e destrua o micro-clima interno que nos
dá conforto;
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Respirabilidade:
Agora muita atenção a uma das mais importantes propriedades das
roupas para Aventura: ela precisa respirar.
De acordo com o esforço da atividade, com a roupa
usada e com as condições climáticas, em repouso nosso organismo
chega a perder cerca de 0,06 litro de água por hora. Ao realizar
uma pequena caminhada podemos perder cerca de meio litro por
hora, em caminhadas mais puxadas até um litro e em baladas
extremas até 4 litros de água por hora de esforço.
Após quase meio século de pesquisas, em 1978 o
mundo conheceu o que muitos consideram como uma das maiores
revoluções para as Atividades ao Ar Livre em condições adversas,
a membrana Gore-Tex. De forma simplificada, cada centímetro
quadrado dela contém 3,6 milhões de microporos, sendo que cada
um deles é 20 mil vezes menor que uma gotícula de água e 700
vezes maior que uma molécula de vapor. Ou seja, a membrana
possui incrível capacidade de repelir a água (inclusive da
chuva), mas permite que o vapor da transpiração saia com
facilidade.
Portanto, dependendo do uso, na hora de adquirir
um casaco “corta vento” dê preferência para peças com
tecnologias como a das membranas Windstopper, que graças aos
seus bilhões de poros microscópicos apresenta eficaz proteção
contra as rajadas de vento e excepcional transpirabilidade.
Normalmente as Camadas Internas respiram super
bem, mais ou menos de acordo com o espaçamento de sua trama. Mas
fique esperto principalmente com a Camada Protetora, pois de
nada lhe adiantará um anorak totalmente impermeável que não
permite que o excesso de calor e o suor saiam, o que
provavelmente vai resultar em camadas internas encharcadas pelo
vapor da transpiração aprisionado. Lembre-se que nosso organismo
é como um motor, se não refrigerar ele esquenta demais e uma
hora para.
Escolha a sua roupa de acordo com as suas
atividades, pois em geral quanto maior a impermeabilidade, menor
a respirabilidade dos tecidos;
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Impermeabilidade:
Quanto à impermeabilidade, teoricamente os produtos podem ser
divididos em Impermeáveis e Semi-impermeáveis, o que algumas
marcas denominam como waterproof e water-resistant.
Efetivamente, temos produtos: de alta respirabilidade e moderada
resistência à água; de boa respirabilidade e alta resistência à
água; de moderada respirabilidade e totalmente impermeáveis; e
os de baixíssima ou nula respirabilidade, porém completamente
impermeáveis. Teoricamente, os produtos vendidos como
Impermeáveis devem ser completamente resistentes à água, neve ou
vento, com membranas inteligentes ou com estrutura completamente
resinada. Mas fique esperto com algumas marcas encontradas no
mercado, algumas que vendem gato por lebre e outras que até são
impermeáveis (tipo náilon durável coberto com poliuretano, ou
PVC), mas como não são transpiráveis transformam a sua bela peça
em uma micro-sauna.
Basicamente, os Semi-impermeáveis são produtos
confeccionados com tecidos impermeáveis, mas por não terem as
costuras seladas acabam deixando passar a umidade pelos
minúsculos furos feitos pela agulha durante o processo de
fabricação. Ou seja, até resistiriam a uma garoa, mas não à uma
chuva mais demorada. Porém estes produtos ganham em
respirabilidade em relação aos totalmente impermeáveis, sendo
ideais para atividades físicas em regiões mais secas.
Os mais eficientes processos de fabricação de
tecidos impermeáveis com propriedades de respirabilidade são a
Laminação e a Resinagem. No primeiro, membranas são laminadas
sobre bases de náilon ou poliéster (como as tecnologias Gore-tex,
X-Alt ou 3-Layer Conduit) e no segundo uma camada de substâncias
impermeáveis e respiráveis é incorporada diretamente sobre o
tecido (Ultrex, Triple Point Ceramic e Conduit Silk).
Estes tecidos, ainda recebem acabamento
hidro-repelente em sua superfície externa, que faz com que a
água forme gotas e escorra, antes de ser absorvida;
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Resistência:
Obviamente, atividades que envolvem situações com atrito no
vestuário (escalada, exploração de cavernas, trilhas
acidentadas, etc) exigem roupas mais duráveis, produzidas com
tecidos hiper resistentes como a Cordura ou com sistemas como o
Rip Stop, trama justa incorporada em determinados tecidos que
minimiza os riscos de rasgo acidental.
As melhores roupas impermeáveis recebem ainda um
tratamento extra nas áreas de maior atrito, como axilas,
cotovelos e joelhos;
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Gramatura: Trata-se
da espessura da roupa, que reflete diretamente o volume, o peso,
a resistência e a termicidade do produto. Existem várias
gramaturas para cada tipo de tecido, dos resistentes aos
térmicos. Exemplos óbvios: fleeces mais espessos garantem maior
isolamento térmico no frio e roupas mais finas são mais
ventiladas;
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Compressibilidade:
Melhor ainda se o produto desempenha bem suas funções
(térmicas, por exemplo), possui pouco volume devido à sua
gramatura e, além disso, ocupa pouco espaço em sua mochila,
podendo ser comprimido com facilidade;
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Elasticidade: A
elasticidade de alguns tecidos permite que se construam roupas
leves e de pouco volume para serem usadas justas ao corpo,
capazes de formar poucas dobras nas articulações. Pra quem
pratica atividades técnicas, é possível encontrar roupas
construídas com fios elásticos de elastano capazes de cumprir
com suas necessidades básicas (proteção, termicidade, etc) e
ainda minimizar o risco de entrada de ar gelado com os
movimentos;
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Meio Ambiente:
Sabia que você pode dar uma ajudinha ao planeta ao
escolher produtos de empresas ecologicamente responsáveis?
Algumas empresas investem um pouco a mais ao fazer a sua parte
para preservar a natureza que você tanto ama, como a Malden
Mills, que recicla embalagens PET para fabricar alguns dos seus
tradicionais casacos Polartec. O mesmo faz a Patagonia na
manufatura dos fleeces Synchilla.
Ainda tem dúvidas de como fazer a diferença?
Analise o seu comportamento para descobrir qual tipo de roupa
você precisa (durável, que não amasse, fácil de lavar, etc),
desta forma você conseguirá decidir na balança se vale investir
em roupas baseado no processo de fabricação (mais ou menos
impactante) ou em compensações a longo prazo. Por exemplo,
roupas sintéticas apresentam certo impacto ao meio ambiente
quando produzidas, mas podem compensar quando calculamos a
economia anual de água e energia dos produtos easy care, que
dispensam os abomináveis ferros de passar e secadoras e
necessitam de menos lavagens que outros tecidos.
Ahh... e que tal boicotar marcas que não
merecem nosso respeito, como já fazem milhares de pessoas ao
redor do mundo realmente preocupadas com o futuro do planeta?
Pode apostar que são os consumidores que decidirão no futuro se
uma empresa continuará ou não a comercializar produtos com penas
de ganso, à base de testes com animais ou sem tratamento de
dejetos químicos.
Boas aventuras!
Márcio
Bortolusso é documentarista da PHOTOVERDE Produções (photoverde.com.br)
e montanhista patrocinado pelas marcas GORE-TEX® e WINDSTOPPER®.
Fonte: www.extremos.com.br
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