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   Dezenove Anos de Enduro a Pe

 

O evento

Em dezembro de 2005 serão completados dezenove anos da realização do primeiro enduro a pé, com o conceito de regularidade, registrado em Minas Gerais e no Brasil.

No dia 13 de dezembro de 1986, às oito horas da manhã, 200 equipes (sim 200!), totalizando cerca de 2.000 participantes, iniciaram a largada para o Rallye a Pé Bamba, saindo da Praça do Papa, em Belo Horizonte, com destino a São Sebastião das Águas Claras, em Nova Lima, mais popularmente conhecida como Macacos.

A prova foi organizada com o apoio de Mocidade Para Cristo, um órgão da Igreja Batista da Floresta, e amplamente divulgado pela mídia de Belo Horizonte, com chamadas, inclusive, pela televisão. O apelo à aventura e ao novo seduziu muitas pessoas que se inscreveram em equipes de até 10 integrantes, cada uma. Escolas de Educação Física, unidades das Forças Armadas e os mais comuns dos mortais se apresentaram para uma experiência inédita: andar por um percurso desconhecido, descobrindo seu caminho por planilhas, e ainda tendo que manter uma regularidade de tempo de acordo com as metas determinadas pela organização.

Três dias antes da prova, numa reunião (se é que se pode chamar de reunião um aglomerado de mais de duzentas pessoas) realizada no antigo campo do Atlético, onde hoje se encontra o Shopping Diamond Mall, foram passadas instruções gerais sobre a prova, o funcionamento, o uso da planilha, princípios de navegação e outras informações importantes.

No sábado, todos se apresentaram para a largada, uniformizados, usando uma bandeira obrigatoriamente colocada à frente da equipe, em rigorosa fila indiana (sob pena de perda de pontos). E assim começou a história do Enduro a Pé no Brasil.

Em intervalos de dois minutos para cada equipe, em duas trilhas distintas, para equipes pares e ímpares (Trilha da Fada e Trilha dos Escravos, respectivamente), as equipes se lançaram às intermináveis subidas e descidas até Macacos.

A prova se realizou em dois dias, ida no sábado, pernoite no acampamento da MPC, para todas as equipes, e retorno no domingo, dia 14/12. O dia 13 estava quente e ensolarado. Logo ficou claro que não seria fácil, e nem sequer um passeio pelo mato. O calor, as subidas, o peso de algumas mochilas e a falta de experiência começaram a mostrar que não seria moleza. "Rapadura é doce, mas não é mole não!" - como dizem no interior das Alterosas.

A Trilha dos Escravos estava seca e quente. Em determinado momento da prova, ao longe, podia-se ver a Trilha da Fada, percorrida pelas equipes pares. debaixo de uma refrescante chuva. Inveja à parte pelo refresco que as equipes pares tinham, as equipes ímpares seguiam sua sina de enfrentar o calor, o cansaço e ainda o barro na saída dos riachos, provocado pelo movimento de tantas pessoas. Em determinados lugares era praticamente impossível subir sem antes levar muitos tombos, por causa do lamaçal formado.

Chegando em Macacos, as equipes foram acomodadas no acampamento, com 2.000 pessoas se espremendo em alojamentos, barracas e corredores. Uma loucura de noite! Com música, agito, barulho e nada de sono.

No domingo, o retorno foi mais dramático: após as chuvas, à noite, muito barro se formou nas trilhas de volta; e foi um esforço muito grande cumprir a etapa até Belo Horizonte. Pés feridos com bolhas, pernas cansadas, todo mundo enlameado, efim...um sufoco!

A equipe 161

O Cláudio Flor formou a equipe 161, que disputou o Rallye a Pé Bamba, e conquistou um honroso centésimo lugar, dentre as 200 equipes. Nada mal para quem nunca tinha participado de uma competição deste tipo, com aquelas características inovadoras. Mas isso foi suficiente para despertar o gosto pelas trilhas e fazer com que a semente plantada durasse por todos esses anos.

Durante alguns anos não houve outra prova, até a própria MPC, que havia ajudado na organização do Rallye a Pé, se propôs a organizar provas avulsas. De todas elas, Cláudio Flor participou com a equipe do Rallye. À medida em que aconteciam as provas MPC, a equipe foi se delineando e manteve, por muitos anos, uma formação constante. Entre 1991 e 2001, adotou o nome de equipe Zebra, que era a regra dos enduros MPC, pela qual cada equipe deveria ter o nome de um bicho. Em 2004, adotou o carinhoso apelido de Os Dinos, dado pelas outras equipes do campeonato, em função da idade dos integrantes da equipe, que eram os mais "maduros" da turma.

Hoje, a pioneira equipe 161 disputa os Campeonatos de Enduro a Pé como Os Dinos.

Nós da FEMEP - Federação Mineira de Enduro a Pé - 1ª Federação do Esporte no Brasil, ficamos com orgulho de vermos iniciar nas montanhas alterosas o esporte que nasceu da própria vocação mineira de desbravar as suas terras, encurtar distâncias e unir as pessoas.

Um abraço a todos e a gente se vê pelas trilhas.

Henrique Rocha - Presidente da FEMEP. - Novembro/2005

 

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